Quando eu tinha uns sete anos meus pais levaram meus irmãos e eu ao zoológico pela
primeira vez. Morávamos em Brasília e minha experiência não foi nada agradável. Ao saber do nosso passeio um vizinho, ou algum parente, nos contou que anos antes uma criança caiu na jaula das ariranhas e quase foi morta por elas, escapou por que foi salva por um sargento¹ que acabou sofrendo diversas mordidas que infeccionaram e ele morreu no hospital.

Por causa disso, fiquei com medo de ir ao zoo. Chegando lá não gostei de ver os animais presos, achei horrível a situação deles e ficava imaginando que foi por causa disso que eles atacaram o garoto e fiquei com mais medo ainda ao pensar o que eles fariam comigo se eu caísse em suas jaulas. No tanque das ariranhas lembrei da história e não conseguia acreditar que uns bichinhos tão lindos podiam fazer isso com a gente.

Fiquei assustadíssima com o rugido do leão, o barulho que o elefante fazia e a respiração dos tigres e durante noites seguidas eu tive pesadelos e tinha que dormir com meus pais (acho que eles nem lembram mais disso). Pra quem não conhece Brasília ela só tem retas, não há morros ou montanhas como no Rio, ou São Paulo e em meus pesadelos os animais seguiam lado a lado pela imensa rua onde eu morava urrando e fazendo os mais diversos barulhos até pararem à beira da minha cama e eu acordava exatamente nesta hora e corria para o quarto dos meus pais.

Quando estava morando em São Paulo aos cerca de treze ou quatorze anos fui ao zoo com meus primos, fizemos piquenique e foi bem legal.

Hoje estou morando no Rio e visitei o Jardim Zoológico com meu namorado, minha vizinha e seu neto. Tive a mesma sensação da minha primeira vizita. Fiquei imensamente triste ao ver os animais enjaulados em celas tão pequenas que mais pareciam aquelas dos circos que, graças aos bons, praticamente não existem mais. Estranhamente eram os reis das florestas, e savanas e dos ares que pareciam super mal tratados, as celas deles eram minúsculas e a única coisa que eles faziam era andar de um lado para outro, ou se agarragem às grades na tentativa inútil de fugir dos gritos das crianças e dos flashs das máquinas dos pais (mais mal educados ainda). Tive que falar o tempo todo pra eles pararem de gritar e cheguei a perguntar para um pentelho se ele ia gostar de ficar preso assim. Quanto mais eles gritavam, mais os leões, tigres e urubus-rei se debatiam. Minha tristeza só aumentava. Fiquei tão cansada que nem visitei o restante do local.

Vendo essas cenas todas a gente só pode concluir que o ser humano surgiu para desgraçar a vida de todo e qualquer ser vivo que existe, do minúsculo ao maior de todos.

Espero que quando houver a “Revolução dos Bichos” eles façam distinção entre os humanos que merecem dos que não merececem sua vingança…se é que existe algum inocente nessa história toda.

¹ http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADlvio_Delmar_Hollenbach

kpc 25/07/2012

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